terça-feira, 21 de agosto de 2012

A primeira noite sozinho com Arthur


À medida que a licença maternidade de Cicília chegava ao fim, aproximava-se o momento em que eu teria de encarar o grande desafio: passar a noite sozinho com Arthur. Até ali tinha sido fácil. Chorou, peito; chorou, peito. Mas eu não nunca tive leite, então iria ter que me virar.

Ela trabalhava em sistema de plantão. O que significava dizer que seria a noite toda apenas eu e ele. Com o passar dos dias a apreensão aumentava. Como seria? E se chorasse? E se tivesse fome? E se quisesse leite de peito?

Quando chegou o dia, medo.

Saí do trabalho, peguei Arthur na casa da avó e passei na maternidade. O negócio era encher o menino de leite até a tampa e rezar para ele dormir a noite toda. Depois de mamar e cair no sono, coloquei com cuidado no bebê conforto. Olhei: dormia.

Segui para casa. Com cuidado, evitando os buracos e as curvas bruscas para não acordá-lo.

O negócio era: tirar do carro, subir as escadas, colocar no berço e torcer para ele dormir a noite toda. Simples? Não. Mas tinha que tentar. Minha noite de sono dependia do sucesso da empreitada. E continuei meu caminho.

Qualquer barulho vindo do banco de trás me fazia checar se estava tudo certo. Dormia.

Finalmente cheguei no prédio. Desci do carro, tirei o bebê conforto (dica: o balançado ajuda a manter o sono) e subi as escadas. Mesmo com a luz dos corredores, tudo tranqüilo. Não acordou. Abri a porta e entrei em casa. Com cuidado, levei o bebê conforto para o quarto. E aí apareceu a grande questão: tirar ou deixar onde estava?

Se estava tão bem ali, porque atrapalhar o sono dele? Mas ao mesmo tempo a consciência dizia que seria mais legal de minha parte se eu o colocasse no berço. E decidi tentar. Com toda a delicadeza do mundo e o medo em cada fio de cabelo, retirei.

Fiz um psssssssss no ouvido assim que escutei os primeiros resmungos. “Devia ter deixado lá. Vai dar errado. Vou passar a noite acordado”. Dormiu. Fui até o berço e coloquei. Mais um pssssss e finalmente senti que tinha terminado. Uma gota de suor escorreu pelo meu rosto.

Após um instante de contemplação daquela coisinha linda dormindo bem tranqüila, tomei uma decisão: abri na carreira para tomar banho, engolir alguma coisa e dormir. Afinal de contas, aquela era uma bomba relógio que poderia disparar a qualquer momento. 

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