quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A comida


Enquanto Cicília estava de licença maternidade eu nao me preocupava com comida. Bastava um choro, pegava Arthur e pendurava no peito dela. Leite à vontade. Mas seis meses depois acabou essa folga. E tive que passar por mais um processo de aprendizado: dar comida.

A primeira coisa que pensei quando vi a quantidade de mamão machucado no prato foi: “nunca que ele vai comer isso tudo. Eu vou é comer e dá o tapeia”. Mas com Cícilia perto não dava. E comecei a dar. E descobri o quanto é difícil convencer alguém que não entende nada do que dizemos a fazer o que queremos.

Ele simplesmente não engolia. Enchia a colher, fazia avião, abria a boca, apertava e nada. Quando conseguia fazer a comida entrar, a colher saía do mesmo jeito. Tentei umas sacudidas dentro da boca, mas também não deram certo. Fruta machucada parece que ganha as propriedades da cola. Gruda de um jeito que não sai.

Só depois de muito tempo é que consegui dominar a técnica. Enchia a colher, empurrava para dentro e passava no céu da boca. Voltava quase fazia. E fui assim, até ficar metade do prato. A partir daí não teve acordo. Não quis mais e acabou-se. Contudo, já estava feliz por ter dominado a situação e ter conseguido fazê-lo comer. Mesmo que tenha durado cerca de trinta minutos.

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