quarta-feira, 15 de agosto de 2012

A comida


Enquanto Cicília estava de licença maternidade eu nao me preocupava com comida. Bastava um choro, pegava Arthur e pendurava no peito dela. Leite à vontade. Mas seis meses depois acabou essa folga. E tive que passar por mais um processo de aprendizado: dar comida.

A primeira coisa que pensei quando vi a quantidade de mamão machucado no prato foi: “nunca que ele vai comer isso tudo. Eu vou é comer e dá o tapeia”. Mas com Cícilia perto não dava. E comecei a dar. E descobri o quanto é difícil convencer alguém que não entende nada do que dizemos a fazer o que queremos.

Ele simplesmente não engolia. Enchia a colher, fazia avião, abria a boca, apertava e nada. Quando conseguia fazer a comida entrar, a colher saía do mesmo jeito. Tentei umas sacudidas dentro da boca, mas também não deram certo. Fruta machucada parece que ganha as propriedades da cola. Gruda de um jeito que não sai.

Só depois de muito tempo é que consegui dominar a técnica. Enchia a colher, empurrava para dentro e passava no céu da boca. Voltava quase fazia. E fui assim, até ficar metade do prato. A partir daí não teve acordo. Não quis mais e acabou-se. Contudo, já estava feliz por ter dominado a situação e ter conseguido fazê-lo comer. Mesmo que tenha durado cerca de trinta minutos.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

O Patatiiiii


Com grande parte da família sem poder sair de Recife para a festa de Arthur em João Pessoa, a solução encontrada foi realizar duas festas. Que, diga-se, ficou a maior parte sob a responsabilidade de Mainha. O tema foi o mesmo: O Pequeno Príncipe.

Chegamos, ajudamos a terminar de organizar e recomeçou toda aquela coisa de organizador de festa: “Olá, seja bem vindo. Está precisando de alguma coisa? Cadê o animador? Pode sentar aqui. Olá quanto tempo. Precisa comprar mais alguma coisa? Cadê Arthur?”

Um detalhe que chamou a atenção na festa foi o animador. Ou pelo menos era desta forma que ele se denominava. Particularmente não chamaria assim alguém que não sabe lidar com crianças, não sabe brincar e passa a festa toda fazendo maquiagem de bicho no rosto dos pirraias.

Por outro lado, o mais legal é que a festa aconteceu no dia do meu aniversário.

Quando Arthur nasceu (10 de fevereiro), todos disseram que eu havia perdido meu aniversário, que acontece dois dias depois. E o coro se acentuou com a festa de 1 ano em Recife, justamente neste dia. Mas não.

Eu ganhei. Ora, quer presente mais legal do que comemorar o nascimento do próprio filho? Mas ainda assim, Mainha achou que, por algum motivo, eu merecia uma festa própria. E quando a de Arthur terminou, tive direito a uma só para mim, com bolo do Sport e tudo.

Contudo, nada se comparou à alegria de ver Arthur abrindo os presentes. O da Bisa, para ser mais específico. Que mostrou talento para escolher. Mainha foi contra. Dizia que Arthur iria se assustar.

Era uma caixa enorme embrulhado em um papel amarelo. O último a ser aberto. Rasga aqui, ali e começam a surgir os primeiros detalhes do brinquedo. Ajuda a rasgar. Um boneco do Patati maior do que ele.

E, de repente, sem ninguém esperar, o grito: “Patatiiiiiiiii”. Ele começou a rir e bater na caixa com as duas mãos. É, não dava para negar. Ele era fã do Patati. 

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O aniversário de 1 ano


Por mais trabalhoso que seja organizar uma festa de aniversário não há nada melhor que do que ver tudo pronto. Quando vi o salão preparado senti que toda a correria tinha valido a pena. Cicília estava de parabéns, afinal de contas, a ideia de tudo foi dela.

A verdade é que festa de um ano não é para a criança. É para a mãe. Mas dá para o pai aproveitar também. Mas é preciso se multiplicar, porque não dá para deixar a parte operacional da festa de lado.

Olá, seja bem vindo. Está precisando de alguma coisa? Cadê o animador? Pode sentar aqui. Olá quanto tempo. Precisa comprar mais alguma coisa? Obrigado. Arthur está com quem? Vai cantar parabéns que horas? Junta aqui para tirar uma foto.

Bom, não vou dizer que Arthur aproveitou toda a festa. Na medida do possível, divertiu-se. Sorriu, tirou foto, vestiu a fantasia. No fim, o mais legal foi exibir nosso lindo príncipe de olhos azuis. Tinha que me amostrar mesmo.

Após a festa, a sensação de felicidade e orgulho por termos passado por mais uma etapa. 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Os preparativos da festa


Quando morei sozinho, depois de sair de Recife como retirante e vir para João Pessoa, pensei que havia conhecido a bagunça de uma casa. Até o dia que Cicília resolveu organizar o aniversário de um ano de Arthur.

Por volta dos seis meses começamos os preparativos. Quando ela me pediu sugestão de tema, pensei logo em Superman, Liga da Justiça, Cavaleiros do Zodíaco,... “meu filho, é aniversário de um ano”.

Se você é pai, e seu filho já fez um ano, deve saber. Caso contrário, vai descobrir. Por mais que a mãe queira inseri-lo nos preparativos da festa, tenha certeza de uma coisa: o aniversário não é seu. A festa não é do seu filho. No fim das contas, tudo é da mãe. O que acho até justo, afinal, não fui eu que passei nove meses com o menino na barriga.

E escolhemos (sugestão dela) Pequeno Príncipe. Já tinha lido a obra de Saint-Exupéry e gostei da ideia. Não ia ter super-herói, mas estava valendo.

E tome comprar coisa. Nesse período também descobri o quanto se gasta com festa do filho. E é muito viu. Sem contar que parte das coisas tivemos que comprar em Recife.

Às vésperas da festa, não sabia como tudo daria certo. Coisas para fazer, resolver e a casa parecia mais uma filial da Kelly Magazine, com bombons espalhados por todo lugar. Xaxá, Sete Belo, Embaré. E o pior: sem poder comer nada.

Mas quando o dia chegou e vi o salão pronto, percebi que não tinha como dar errado. Tudo estava preparado para o grande dia. Um ano do nosso pequeno príncipe.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Os primeiros passos


Enquanto o bebê não aprende a andar não há muito com que se preocupar. É só levantar a grade do berço que ele está seguro.

Contudo, esperava ansiosamente o dia em que Arthur iria sair engatinhando pela casa. Existe cena mais tchuquitchuqui do que essa? Difícil era convencê-lo disso.

É que Arthur simplesmente detestava ficar de barriga para baixo. Era instantâneo. Virou, chorou. Quando ele fez quatro meses colocamos pela primeira vez no andajá  (o menino era grande, ok?). Parecia que tínhamos descoberto uma invenção de sorriso automático. Ele adorava.

E eu também. O único risco era ele derrubar algum móvel quando abrisse na carreira. E de tanto usar o andajá, e odiar se deitar de barriga para baixo, pulou a fase de engatinhar.

“Venha, papai pega, venha”. E ele vinha. Todo desengonçado. Não conseguia dar mais que dois passos e tombava. Mas dava um. E isso era mais que suficiente para deixar orgulhoso. Afinal, era meu bebê crescendo.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A primeira palavra


Mãe e filho possuem um vínculo inexplicável desde a concepção. Deve ser algo ligado àquela história de ter um bebê crescendo dentro da barriga, mexendo e depois mamando. O pai não tem isso. O vínculo precisa ser criado.

E pense que pai é um bicho besta. É como se, depois que Arthur nasceu, eu tivesse perdido a sanidade. Só isso para explicar o fato de me aproximar dele no berço, nos primeiros dias de vida e dizer: “repita comigo: papai. Paaaaa... pai”. Imagina se ele fala... Eu abria na carreira.

Mas quando se é pai, você não liga para essas amarras da sociedade que precisa taxar alguém de louco. E continuei. Só imaginava a sensação de felicidade ao fazer Arthur dizer a primeira palavra: “papai”.

“Toma aí, passasse nove meses com ele na barriga e ele falou papai”. Era uma luta diária, vários minutos na frente dele, falando e esperando. A resposta, porém, era sempre a mesma: silêncio.

Durante vários meses não tive retorno. Até que chegou o dia. Na sala, sentado, observava Arthur brincando, quando de repente ele inspira, olha para a frente, abre a boca e deixa escapar a primeira palavra da sua vida: “táxi”.

Tudo bem, não foi aquilo que eu esperava. Mas foi emocionante do mesmo jeito. Era nosso bebezinho crescendo.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O psssssss


Antes de Arthur nascer, lembro de ter visto uma reportagem em que o médico ensinava como “adestrar” os bebês. Acalmar os pequenos quando estivessem inconsoláveis. Porque não tem nada mais desesperador do que um bebê quando abre o berreiro. Se nascesse falando seria bem mais fácil. Mas não é assim.

Contudo, tudo na hora do aperreio é bem difícil. Olhava para Arthur e via o menino se esguelando, mudando de cor, do branco para o vermelho seguindo para o roxo. Não conseguia nem pensar direito. “Pega no braço”. Era a voz do médico no meu cérebro. Uma dica interessante.

Mas ele continuava em desespero. “Ai meu Deus e agora? O que faço com esse menino?”. “Encosta do peito”. E nada. “Tem que sacudir não é, meu filho!”. A voz estava ficando impaciente. E tome sacode. “ANDA!”.

E comecei a andar de um lado para o outro. Deve ter diminuído uns 20 decibéis. Mas o choro continuava. Neste momento lembrei de uma das técnicas mais tradicionais e eficientes da história em se tratando de acalentamento de bebês. Aquele que, ainda criança, ouvia minha avó fazer com os netos: o pssssssssssssssss.

Cerca de cinco segundos depois, o silêncio invadiu o ambiente. Um momento mágico. Único. Em que pela primeira vez consegui dominar o choro desesperado. E fiquei ali, curtindo o momento, mantendo a técnica.

Até perceber que Arthur estava em sono profundo. Totalmente relaxado em meus braços. Acabei me dando conta de que tinha dominado o fator “colocar para dormir”. Foi lindo.