sexta-feira, 7 de julho de 2017

Desculpa, não tive tempo

Passei um bom tempo sem escrever aqui. Na minha cabeça, a resposta era muito simples: não tive tempo. Muita coisa para fazer: trabalho, deveres, séries (várias delas, admito), a temporada no comando do Real Madrid no Fifa (pode colocar no plural), cursos, faxinas no banheiro, trânsito, tarefas de casa da escola, jogos do Sport,… Muita coisa. O blog estava abandonado. Muitas vezes, eu queria escrever, mas não tinha tempo.

E de repente, recebo um link de uma amiga com um texto recém-escrito por ela. Justamente sobre isso: A nossa falta de tempo. Bateu em cheio. Doeu. E pus-me a refletir. Será que não tive tempo? Tempo para falar de amor? Do amor que sinto por Arthur e Laís? De como via o desenvolvimento deles?

Afinal de contas, foi pra isso que criei o blog. Para ser uma espécie de diário, que deixaria registrado meus sentimentos por ambos, enquanto cresciam e aprendiam cada coisa nova. Os sustos, as astúcias, os momentos de tristeza e, claro, os de alegria. Tudo por falta de tempo.

Neste período, fui cobrado. Por pessoas próximas ou não. Contudo, por não ter tido tempo, falhei. Tornei-me relapso. Dei razões às críticas que dizem que não persisto; Que protelo as coisas.

E desta vez, escrevo com apenas uma intenção: pedir desculpas. A Arthur e Laís. Por isso, peço licença aos amigos e familiares que chegaram até aqui. Este texto não é para vocês.

Arthur e Laís,

Não faço ideia de quando vocês vão ler este texto. Se serão crianças, adolescentes ou adultos. Mas independente da fase em que estejam, saibam que os amo. E os apoio. Sempre. Estou ao lado de vocês para o que der e vier. Porém, peço desculpas por ter abandonado o blog.

Quero que vocês saibam como foi vê-los crescer. Aprender. O que senti em cada situação que vocês enfrentaram.

Contudo, vou mais além. Peço desculpas pelas vezes que falhei. Pelas vezes que perdi a paciência e gritei. Mas principalmente, pelas vezes em que não tive tempo. Tempo para sentar e ouvir. Para brincar. Para conversar.

Faço um grande esforço para estar próximo. Para não ser o pai distante. Que não conversa. Que não abre o coração.

Por isso, abraço forte. Arrocho. Faço massagens, cócegas e “sanduíche”. E digo que amo. De diversas formas e maneiras. Um sentimento que toma conta de um jeito inexplicável. Para cada um, um recado especial:

Arthur, papai ama você… (você sabe).

Laís, papai ama a princesa; e a princesa… (você sabe).

Sempre. Sem desculpas de falta de tempo.

domingo, 4 de dezembro de 2016

O ABC de Arthur

Parece que foi ontem. Não tem frase mais clichê que esta quando falamos que nossos filhos cresceram. Mas não parece. Foi ontem. De verdade. Foi ontem que estávamos olhando para aquela coisinha pequena e indefesa na maternidade. Foi ontem que nos esforçamos, economizamos, trabalhamos com habilidades que nem sabíamos que tínhamos, para fazer a festa do primeiro aniversário.

Foi ontem, por exemplo, que pesquisamos qual escola teria a honra de receber o que tínhamos de mais importante na vida. E, por motivos diversos, escolhemos a Lourdinas.

Passamos por toda a ansiedade antes de chegar o primeiro dia de aula. Vai chorar? Vai ficar bem? E se ele não me largar? O que eu faço? E alguns, tiveram uma baita surpresa ao se ver trocado por uma massinha de modelar. Sem nem se importar se iríamos embora ou não.

Para muitos de nós, foi a primeira vez que sentimos a separação. E doeu viu… Alguns de nós, verdade seja dita, não se conformou. Ficou espiando de longe. Observando. Checando se estava tudo bem. Mas, aqui pra nós, queria era que o filho chorasse só pra ter a desculpa de resgatá-lo.

Mas passou. Eles precisavam crescer.

Também foi ontem que ficamos orgulhosos ao perceber que eles aprenderam a contar. Que identificaram as primeiras letras. E quando conseguiu escrever o próprio nome? Que coisa mais linda.

Ao longo desses anos, uma das maiores expectativas era quando começariam a ler. Escreveram com letra bastão, que eu conhecia como letra de forma. Depois cursiva. E aos poucos as leituras foram surgindo. Com dificuldade, claro. Mas cada um aqui, percebeu o orgulho do filho, ou filha, quando ele, de dentro do carro, leu uma palavra em alguma placa qualquer. E ele sequer sabia que nós é que sentíamos mais orgulho.

É… Eles estão crescendo. E rápido demais. Pelo menos pra gente. E como não temos como evitar, só nos resta agradecer de todo o coração, aquelas pessoas que nos ajudam tanto no caminho. Obrigado a cada tia que pegou estes alunos. No maternal; No infantil I; no infantil II; No infantil III. Que cuidou. Que protegeu. Que ensinou.

Viemos para as apresentações. E foram várias. E em cada uma delas, nos orgulhávamos cada vez mais. Até pensávamos: meu filho foi desenrolado. Cantou direitinho. Ou, minha filha é tímida, não gosta de se amostrar. Acompanhamos todos eles dançando ao lado da tia do maternal. Precisavam que alguém os conduzisse. E hoje eles se apresentam sozinhos.

É minha gente. Esses meninos estão crescendo.

Passaram por muita coisa. Nós passamos por muita coisa. Tudo isso, de ontem para hoje. Por isso, neste momento tão especial, nossos mais sinceros agradecimentos. À escola, claro. Aos profissionais. A todos. Desde o vendedor de cremosim do lado de fora da escola, até a diretora que ouve nossas reclamações. E como reclamamos. Agradecemos também às auxiliares. Que se dedicam com tanto cuidado às crianças. Aos porteiros. Que tem o cuidado de afastar os cones pra gente. Às meninas da secretaria. Da limpeza. Todos!


Mas hoje, o agradecimento mais especial é para as professoras. Elas que estão mais próximas dos nossos filhos. Desde o maternal até o primeiro ano. Sem esquecer nenhuma. E por ser uma data tão simbólica, seremos mais diretos. Tia Diva, Tia Mônica e Tia Patrícia: Vocês não tem ideia do quanto foram importantes nas nossas vidas. Cada uma de vocês vai ficar marcada para sempre na vida dos nossos filhos, como a tia da alfabetização. Portanto, muito obrigado. Mas obrigado mesmo.

domingo, 31 de julho de 2016

O primeiro jogo fora do Estado


É difícil encontrar uma criança que não sonhe em ser um jogador de futebol. Comigo não foi diferente. Mas a vida não me deu as oportunidades necessárias (ou deveria dizer talento??). Com Arthur desde o nascimento sendo influenciado para gostar de futebol, a vontade de praticar futsal no colégio veio de forma natural. É um bom esporte e quem sabe ele não teria o talento necessário para fazer a família toda morar na Europa? (humilde, eu sei rsrsrs).

No primeiro ano, teve a partida amistosa no fim do ano e todos vimos como ele era esforçado (pode clicar aqui). No segundo, teve algo mais interessante. Uma viagem para disputar um jogo em Recife contra a Lourdinas-PE. Desde que soubemos da notícia, nos animamos.

No dia, ele foi no ônibus com os coleguinhas e fomos acompanhando de carro. Titia Andréa e Titio Fernando (ou Titio Querido do Coração, como eles chamam) estavam lá. Ginásio lotado, todos animados, várias partidas e ele entrou em quadra.

Rapaz, assim... Percebemos neste dia que o estudo era um caminho interessante. A medicina é uma profissão muito bonita... Que dá um certo retorno financeiro... Talvez a vida desse mais oportunidades investindo na saúde...

Do jogo, foi curioso. O menino parecia não estar na quadra. Andava meio aéreo de um lado para o outro. Eu reclamava mais com ele do que o professor. Pra ver se o menino acordava. “Vai na bola, Arthur!!!”; “Marca, Arthur!!!”; “Corre, Arthur!!!”.

Saímos de lá com a dúvida se o próprio gostava daquilo. Mas Arthur era empolgado. O time ganhou, ele recebeu medalha e achou o máximo. Depois de conversar com Tio Amaral, analisamos alguns fatores que poderiam ter influenciado: Primeiro jogo fora do Estado, com torcida contra, ginásio cheio... enfim... Após longos debates, tomamos duas decisões:


Apresentá-lo ao judô e renovar a matrícula para o segundo semestre no futsal. Caso não se torne um jogador profissional, pelo menos está praticando esporte. Que é o mais importante.

E a medicina é uma boa opção...

segunda-feira, 18 de abril de 2016

O jogo do Brasil

Recife, 1994. Com mainha viajando e painho doente dentro do quarto chamando por ela, vi a final da Copa sozinho na sala. Na hora dos pênaltis, de joelhos, rezava pelo título. Que veio. Desci do apartamento, dei volta olímpica e voltei pra casa. Aos 12 anos, só conseguia imaginar como seria ver um jogo de Copa do Mundo na arquibancada.

João Pessoa, 2014. Brasil e Chile decidiam a vaga na decisão por pênaltis. Com ingresso comprado para a fase seguinte, em Fortaleza, rezava para o time de Felipão passar. Tudo para que eu e Arthur pudéssemos ver o Brasil de perto. Deu certo.

Depois de sair de João Pessoa, dormir em Mossoró e chegar em Fortaleza, já era possível viver o clima do jogo dentro do shopping onde havíamos deixado o carro. Arthur era só encantamento. Olhava tudo com brilho nos olhos. Torcedores, bandeiras, cânticos... E eu sabia o que era aquilo. A alegria que imaginava que sentiria aos 12 anos, conseguia viver pelos olhos dele.

Já nos arredores do estádio, a emoção era enorme. A atmosfera de uma Copa do Mundo é diferente. E Arthur olhava tudo e todos com alegria. Tirou foto na frente do Castelão, com torcedores rivais, enfim... Aproveitou.

Cicília, que inicialmente não iria ao jogo, acabou indo. Demos um 'pitu' na Fifa. Entrei com Arthur no braço (sim, aos 4 anos se paga ingresso em Copa. Aliás, saiu do bucho já paga) e repassei o ingresso pra ela. Todos felizes, ficamos atrás de um dos gols.

O calor fazia parte do Castelão. Arthur cantava, gritava... Como já havia aprendido nos jogos do Sport. Ficou de pé na hora do hino, cantou com o coração. Durante a partida, ajudou a empurrar o Brasil. E eu vivia e revivia tudo ao mesmo tempo. Estava ali também pela primeira vez. Porém, através dele, revivia aquela inocência da infância.

Nos abraçamos, com os gols do Brasil. Reclamamos quando a Colômbia fez um. Reclamamos de novo, quando Neymar levou uma pancada nas costas e saiu de maca. Xingamos. E lamentamos.

Ao fim da partida, comemoramos a classificação para as semifinais. Na conversa pós-jogo, já dentro do ônibus, lamentamos mais uma vez que Neymar estivesse machucado. Mas a confiança era grande em mais um título do Brasil. Que a partir dali, voltaríamos a acompanhar pela TV. Com a consciência de que nosso dever tinha sido cumprido.


Ele deve ter saído imaginando quando viveria aquilo novamente. Eu, já com a maturidade da vida adulta, sei que é difícil estar em outro jogo de Copa do Mundo. Por outro lado, aprendi por experiência própria que não se duvida da inocência de uma criança. 

domingo, 10 de abril de 2016

A tabela de comportamento

Depois que a pessoa tem filho, aos poucos desenvolve técnicas de psicologia. Nem todas funcionam, é verdade. Mas errando uma vez aqui, outra ali, dando um grito de escorrer lágrima na criança aqui, uma ameaça de chinelada ali, você vai moldando seu filho e suas reações. E se tem uma coisa que existe nesse mundo é técnica para adestrar criança (alguns falam em educar, mas dá no mesmo).

E uma bem conhecida é aquela de fazer um cartaz, pendurar na parede e marcar com um X as coisas boas ou erradas e depois ter um castigo ou um prêmio. Pois bem. Cicília criou uma tabela no papel, bem bonitinha e organizada. Uma azul para Arthur e uma amarela para Laís.

Funcionava assim: cada desobediência (deixar bagunça, não arrumar a cama, não tomar banho e etc) gerava um X. O objetivo era claro: deixar o papel limpo.

Arthur virou uma “seda”. Passou a fazer as coisas e quando ameaçava fazer birra, bastava pegar a caneta que ele batia pino e fazia o que tinha que ser feito. Já Laís...

Como sempre fazia, ela espalhou brinquedos por todos os lados da sala. Na hora de arrumar, “bateu uma canseira”. Dizia que não conseguia fazer nada. Nem andar. Cicília então ameaçou marcar um X na tabela. E ela não queria ganhar a marquinha negativa. Então tomou uma atitude:

Foi atrás da tabela, escondeu no banheiro dela, voltou para a sala e continuou com a bagunça. A lógica: se a mãe não encontrasse, não poderia marcar o X e ela não seria castigada.

Admito que a construção da ideia foi genial. Só que Laís não contava com nossa astúcia. Nós tínhamos uma carta na manga: “SE VOCÊ NÃO GUARDAR ESTA BAGUNÇA AGORA, VAI TUDO PRO LIXO. JÁ PEGUEI O SACO PRA COLOCAR”.

Bem mais eficaz, diga-se de passagem. Em meio a reclamação e choro, os brinquedos foram guardados. Objetivo alcançado.

#aprendesupernanny

domingo, 3 de abril de 2016

Astúcias no Infantil I

Quem nunca aprontou na escola? Faz parte do ser humano (eu acho). Confesso que minha mãe foi chamada algumas vezes para conversar com coordenadores e professores sobre o que acontecia no colégio. Por outro lado, isso não chegou a acontecer quando tinha apenas 3 anos. Como Laís.

Costumava pegar os meninos na Lourdinas assim que saía da TV. Normalmente encontrava com Tia Marta, a professora do Infantil I. E teve uma semana específica que foi “animada”. Na segunda-feira, ao chegar para buscar Arthur e Laís, ela me viu e chamou:

“Laís aprontou uma hoje, viu... Os amiguinhos prepararam a tela (uma pintura que eles fazem no fim de ano pra gente encher a parede de quadros) e colocaram para secar. Pois de repente, quando olho, chega uma coleguinha reclamando que Laís tinha pintado a toalhinha do lanche dela. Conversei com Laís. Fomos ao parque e, quando voltamos, vejo Laís com o pincel cheio de tinta em direção à tela da amiga. Por pouco ela não fez um desmantelo”.

Naturalmente, reclamei com Laís. Isso não se faz. No dia seguinte, mais uma vez encontro com Tia Marta. “E aí, foi tranquilo hoje?”. – Não exatamente.

“Laís pediu pra ir ao banheiro e, quando a auxiliar viu, ela tinha baixado as calças e estava fazendo xixi no balde de lixo”. Na hora, confesso que achei engraçado. Mas coloquei minha cara de sério e segurei.

Bom, antes que me julguem, dias depois descobri uma outra versão. Laís estava bem apertada e os boxes estavam todos ocupados. Para não fazer no chão, ela fez no lixo. Então, na verdade foi uma boa ação ;)

Achei que para uma semana já estava de bom tamanho, mas no dia seguinte...

“Quatro meninas pediram para ir ao banheiro e a auxiliar as levou. Deixou todas lá e voltou pra pegar os meninos que também queriam ir. Ao retornar, não viu as meninas. Voltou pra sala e nada. Começamos a procurar, quando fomos ao banheiro, escutamos as risadinhas e os ‘pssssiiiuu’. Elas tinham entrado no mesmo boxe e estavam escondidas da tia. Uma delas era Laís”.

Desta vez, gargalhei sem remorso. A astúcia das meninas valia ao menos ser reconhecida.


Depois de três dias seguidos, admito que estava com medo. Tinha receio de ouvir mais reclamação. Porém, o restante da semana (a quinta e a sexta rsrsrs) passaram sem que eu ouvisse mais nada dela. Talvez tenha tido algo a ver com o fato de eu ter chegado mais tarde para não encontrar com Tia Marta. Mas essa é uma dúvida que nunca vamos tirar. 

domingo, 27 de março de 2016

O primeiro jogo

Minha carreira no futebol durou praticamente toda minha vida escolar. Comecei com 10 anos na escolinha de futsal do Visão. Disputei torneios com a camisa do colégio (não ganhei nenhum) e disputei inúmeros interclasses. Destaque para o título do Intermédio com a T1, já no CEFETPE. Dito isto, você deve imaginar minha emoção de ver Arthur disputar o primeiro jogo defendendo a camisa do Lourdinas.

Desde o ano anterior que eu tentava empurrá-lo para o futsal, mas ele não queria. Não sei o motivo, porém, sempre se negava. Uma vez chegou a contar uma história que ligou meu sinal de alerta:

“Hoje no colégio a gente brincou de futebol”. – Eita, que massa! Você gostou? (agora ele vai querer fazer futsal). “João Gabriel era Fulano (não lembro o nome do jogador de inspiração), Dudu era Beltrano”. – Que legal. E tu era quem?. “Felipão!” -_-

Entendi aquilo como um indício e decidi não perguntar mais se ele queria fazer futsal. Mas depois de um tempo, as histórias passaram a incluir a participação dele. No gol. -_- Quem já jogou pelada sabe quem vai pro gol...

Mesmo assim, tudo bem. Magrão é meu ídolo e é goleiro. Então perguntei se ele queria treinar no ano seguinte e ele topou. E assim foi. Detalhe: a madrinha chegou a comprar uma luva de goleiro, já que ele queria tanto ser um, mas nunca usou. Mudou de ideia depois e foi pra linha.

Depois de passar o ano em treinos (e sem eu ver nenhum) teve o primeiro jogo valendo. Contra o Colégio Meta, na casa do adversário. Rapaz, o menino era empolgado. Parecia final de Copa do Mundo. Era um tal de passar a mão na cabeça, na testa, bater palma, incentivar os amiguinhos e foi pro jogo.

Bom, não tem muito o que se dizer de uma partida com meninos de 5/6 anos. Onde a bola está, o bololô acompanha. E Arthur corria, se esforçava, mas nada de gol. Até que o árbitro marcou um pênalti. Era a chance. O Lourdinas vencia com folga. Arthur foi pra cobrança. Escolhido pelo tio. Concentrado. Correu. Bateu. Foi pra fora. Tipo, muito pra fora. Ele ficou meio abalado. Mas valeu o esforço né.

De qualquer forma, eu estava feliz. Afinal, quantas vezes vivi momentos como aquele. De jogar. De estar em quadra representando o colégio. E ver Arthur fazer isso, encheu meu peito de orgulho. Mesmo que o gol não tenha saído. Acho que é aquele lance de “continuar a história”. Que ele possa jogar muitas e muitas vezes e ter bastante alegria.

terça-feira, 6 de maio de 2014

A Vacina Dupla

Se você nunca levou dois filhos para tomar vacina, não sabe o que é desespero... Tive a ideia nada brilhante de aproveitar o momento de levar para o colégio para economizar tempo. E quando estacionei o carro já senti o drama: “EU NÃO QUERO TOMAR VACINA”. Arthur já conhecia o Lactário da Torre e sabia que dali só sairia seringa e agulha. Portanto, já desceu chorando.

Laís, inocente, estava dormindo tranquilamente. Sem saber o que a esperava. Entramos, peguei uma ficha, dei o nome de ambos, as vacinas que iriam tomar e mandaram esperar. “Senta aqui, Arthur...”; “EU QUERO IR EMBORA, EU NÃO QUERO TOMAR VACINA!”. Porque criança acha que a gente é surdo?? Eu ouviria se ele falasse mais baixo... Nessas horas você fica meio sem saber o que fazer. Mas como estava no meio de uma ruma de gente com filho, tentei não ligar.

“EU QUERO IR PRO COLÉGIO!”. Na hora de me aproximar da sala da vacina, ele não quis ir. “Vem Arthur”; “Venha pra cá”; “É só pra esperar”; “Arthur... Venha... Agora!”; E por fim entre dentes: “Arthur Henrique, venha pra cá agora”. Ele veio. E Laís dormia.

Quando entramos na sala, a coisa ficou feia. Era preciso segurar Arthur para que a vacina fosse aplicada. Mas ao mesmo tempo, Laís continuava dormindo. “Segura aqui, moça, por favor”. Entreguei a menina, peguei o menino, prendi e falei: “Dá o gás!”. Pronto. Pense numa injeção trabalhosa. Arthur chorava. Desesperadamente. E ainda tinha outra. “Vira o lado”. “EU NÃO QUERO NÃO... NÃÃÃÃÃÃOOOO”. Levou. Pronto. Foi se acalmando.

Laís ainda dormia. “Ela tem que estar acordada”. Comecei a sacudir. Já tinha chegado tão longe, não iria desistir agora. Então ela acordou meio sem saber onde estava, qual a situação, e de repente... “AAAAHHHHHHHHHH”. E, de novo, o choro tomou conta do lugar. Já aproveitei o embalo, virei o lado e mandei dar logo pra terminar o mais rápido possível.

Por fim, quando estava tudo resolvido... “Cadê o caderninho de vacina de Arthur?”; “Eita, acho que entreguei pra outra mulher... vou lá”. Tive vontade de esganá-la. Depois de uns cinco minutos, ela volta. “Não achei. E agora?”. “E agora tu vai parir o caderninho com todas as vacinas que ele já tomou”. Mas o livrinho estava dentro da sala o tempo todo. Tive vontade de esganá-la de novo. Mas saí.

Só quando coloquei os dois no carro (depois de prometer várias vezes que não levaria mais Arthur para tomar vacina... menti mesmo) foi que finalmente relaxei. E fomos embora, finalmente, para o Lourdinas.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Contemplação

Às vezes é no silêncio da noite que se observa os filhos. Quantas vezes me peguei parado em frente a eles... Apenas olhando a respiração. Se estavam “ok”. Em Camboinha, Arthur ficava em um colchão ao lado da cama. Laís no berço, do outro lado. Responsável pelo “plantão noturno”, era eu quem dava o mingau e colocava os pijamas.

Uma espécie de ritual. 210ml de água do filtro na mamadeira. 25 segundos no forno microondas. Sete medidas de leite ninho 1+. Duas medidas de massa (Mucilon+Farinha Láctea). Tampava, sacudia e estava pronto.

Colocar o pijama era coisa de ninja. O mínimo de barulho possível para não acordar ninguém. Levantava a cabeça de Laís, empurrava a camisa pela cabeça, puxava e colocava a mamadeira na boca. Enquanto ela bebia, ainda dormindo, trocava a fralda e colocava a calça. E esperava terminar.

Nesse momento, eu encostava no berço e observava. “Como é linda”. “Que traços perfeitos”. Sentia que o mundo poderia cair na minha cabeça. Mas ela não seria sequer tocada pela poeira. O sentimento que surgia no peito crescia de forma impressionante. Tudo por ela. Qualquer coisa para ver um sorriso. A felicidade naqueles olhos. E lembrava do abraço apertado ao chegar no colégio para buscá-la. “Até quando ela não sentirá vergonha dos amigos e vai me abraçar assim?”.

Pegava a mamadeira, já seca, e seguia para vestir Arthur.

Sabia que o sono dele era mais pesado. Mas isso não queria dizer menos cuidado. Calça, camisa... Ele sequer esboçava que iria acordar. E eu parava. Apenas observando. Quanta inocência naquele ser. Olhava para ele e me via. Uma extensão de mim. O que quer que acontecesse, eu seguiria neste mundo. De alguma forma. E me perguntava se algum dia ele iria ter vergonha de dizer: “eu amo você para sempre!”.

Para falar a verdade, eu já sabia que eles cresceriam. Talvez ficassem rebeldes. Talvez não quisessem mais ser abraçados e beijados em público. Talvez não quisessem dizer “eu te amo”. Talvez.

O fato é que eu tinha uma certeza. A lembrança daquelas respirações. Daqueles suspiros. Daqueles momentos em que não passavam de criaturas frágeis e dependentes de mim. E que eu sentia que tinha a força necessária para protegê-los.

Porque era neste momento que minhas dúvidas iam embora. A resposta estava ali. Nos dois presentes que tinha recebido. De Deus. E eu não fazia ideia de como agradecer.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Antes das aulas

Não sei no meu tempo, mas hoje em dia existe um processo entre o pagamento da matrícula e o início das aulas propriamente dito. Passada a fase de escolher o colégio (Lourdinas), passamos por uma entrevista com a psicóloga e depois uma reunião de pais e mestres. O objetivo é deixar papais e mamães de primeira viagem um pouco mais tranquilos. Ou mesmo aqueles que já tenham experiência, lembrar o que se deve e o que não se deve fazer.

“Deixa a criança levar a bolsa”; “fala sempre bem da escola”; “a agenda é nosso meio de comunicação”. São frases que todas as tias dizem. Além daquela que mais ouvimos: “olhem o blog do colégio, pois poderão acompanhar tudo que seus filhos fizerem”. Devo confessar que se esse acompanhamento dependesse do tal blog, acreditaria que os meninos não fazem nada no colégio.

Mas é nessa reunião que descobrimos também quem será a professora. Com Arthur tivemos a felicidade de ganhar Tia Ju no primeiro ano. Ao ouvir o nome dela, minha primeira preocupação foi prestar atenção na reação dos pais que já eram “veteranos” no colégio. Todas positivas. Senti confiança.

Já no ano seguinte, tivemos uma experiência diferente com a entrada da Laís. Em tese, o mesmo processo. E como seria dividido por turmas, eu fui conhecer a tia de Arthur e Cicília foi para a sala em que estaria a tia de Laís. Conheci Tia Mônica. Tia Ju, que havíamos gostado tanto, tinha ficado para trás.

Entre as principais diferenças em relação ao ano anterior, era que no Infantil II Arthur receberia bem mais tarefas e iriam escrever na agenda. Orientado por Cicília, levantei uma questão que por pouco não causa uma guerra. A quantidade de doces que os meninos ganham na escola. É muito! Toda data comemorativa é porcaria: bombom, pirulito, chiclete e etc. A maioria dos pais foram contra mim. Alguns me apoiaram (dois, para ser justo...). As tias foram contra. Alegaram que era apenas em eventos especiais. De cara ela contou quase 15. Voto vencido, reunião terminada, fui para a sala do Maternal.

Engraçado como o perfil do assunto muda. Óbvio. Seriam crianças de dois anos, que mal falavam, usavam fralda e eram dependentes dos pais. O papo, claro, girou em torno do choro no primeiro dia de aula. “É normal a criança chorar. Vocês podem ficar um tempinho a mais na primeira semana”; “Deixem trazer brinquedos”; “Pode deixar a chupeta”; E a lista seguia, sempre dando dicas para que a adaptação acontecesse sem traumas.

Até que Cicília perguntou: “e se a criança se adaptar bem? Eu posso só deixar e sair?”. Todos olharam com cara de incredulidade. Até as tias. Como se dissessem: “pronto, chegou a que quer ter a filha independente...”. Mesmo demonstrando todo o descrédito que possuíam, responderam: “se ela estiver bem, pode deixar sim”.

E devo dizer que no primeiro dia, deixamos a bolsa na sala e bastou Laís chegar no parque para vermos que não havia motivos para ficar. Está aí o vídeo que não me deixa mentir.


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A entrevista de Laís

A situação era tensa. Um ano antes estávamos na mesma sala com Arthur. Era um bate-papo, uma entrevista, com a psicóloga do Lourdinas para nos conhecer e também o futuro aluno do colégio. Calmo que só ele, sabíamos que não haveria problema. Confesso que a expectativa não era a mesma desta vez. Afinal, era Laís quem estava sendo avaliada.

Antes de irmos para a tal reunião, conversava com Cicília, que temia que a menina não fosse aprovada. Sugeri um calmante para ela chegar dormindo e só descobrirem a “peça” quando chegasse o primeiro dia de aula. O único risco era Tia Ludmila ser demitida por colocar o Taz dentro do colégio. Pouco confiantes, fomos.

Entramos na sala, eu com ela no braço, sentei. Coloquei-a do meu lado, em outra cadeira. Laís sentou como uma lady. Séria, apoiou os braços na mesa e esperou. Olhava de um para o outro. “Nossa, é uma princesinha. Uma moça. Olha como é comportada”. Eu e Cicília apenas nos olhávamos. Desconfiados.

Tia Ludmila fez algumas perguntas... se era comportada (MUITO!), se falava (pouco), se o irmão tinha ciúmes, como era a relação dos dois, se era muito agitada (Nada!). E Laís lá: um anjo de candura. Mal se mexia. Continuava encostada na mesa. O único movimento foi para abrir a bolsa de mão dela e tirar a mamadeira. “Nossa, de bolsa? Que coisa mais linda. É uma princesa mesmo”.

Chegou a ser pega no braço pela tia e sempre lá: quieta. Comportada.

Depois de alguns minutos de conversa, recebemos o papel com a aprovação. Antes que algo acontecesse, corri para a secretaria e peguei a lista de documentos a entregar e fomos embora. Com a certeza de que o colégio receberia dali a pouco mais de um mês, uma criaturinha como essa do vídeo aí embaixo:

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O primeiro dia de aula

Certos momentos marcam a vida dos pais por serem, digamos, emblemáticos. São dias que ficam gravados na memória para o resto da vida. O primeiro dia de aula é um deles. Antes, porém, de deixá-lo na escola, tive que passar por uma maratona. E tudo começou com a escolha do colégio.

Um dos itens que você analisa de cara, claro, é a mensalidade. Não é mole pagar um colégio para uma criança de 3 anos que há algum tempo atrás valia uma faculdade. Passado esse impacto, percebe-se que o colégio em que você estudou tem grande influência. Por exemplo: se morasse em Recife, colocaria no Visão. Mas em João Pessoa, ouvi Cicília. E fomos no Lourdinas.

Colégio tradicional da cidade, de freira, que no passado não tão distante só aceitava meninas. Achamos interessante a parte religiosa e cidadã do local. Passamos por entrevista, compra de material escolar e finalmente chegou o dia de levar Arthur para o primeiro dia de aula.

Em uma reunião realizada uma semana antes do início das aulas, as tias fizeram um baita medo sobre o período de adaptação. “Deixa ele trazer a mochila sozinho”; “não fica muito tempo”; “chorar é normal”; “com o tempo se acostuma”; “se quiser pode ficar na primeira semana”. Eu só imaginava Arthur chorando desesperadamente aos berros: “NÃO ME DEIXA!!”.

Saí da tv, almocei, preparei a câmera e começamos. Era preciso registrar. “Pega a bolsa”; “vai saindo”; “dá tchau”. Depois da sessão de fotos, fomos para o colégio.

Entendi o que as tias disseram. Tem criança que realmente parece estar indo pra forca. E olhe que ela nem imagina o que está reservado para o futuro (aulas de Química e Matemática, por exemplo, que causaram traumas na minha vida). No meio do chororô, da correria e dos gritos, encontramos Tia Ju, a primeira professora de Arthur.

Meio receoso, ele não quis largar a mão. Olhava tudo apreensivo. Sentia que ia ficar sozinho. Em um lugar estranho. Com pessoas estranhas. Pela primeira vez na vida. Com o coração apertando cada vez mais, brincamos com ele, mas sem esquecer que o momento se aproximava. “Qual seria a reação dele? Vai ficar bem?”. E a tia chamou pra sala.

Aos poucos, os amiguinhos sentavam nas cadeiras. Outros pais na mesma situação que nós. Decidimos que era hora de sair. Ele ainda meio ressabiado. Como faríamos?? Em meio a nossas dúvidas, Tia Ju apareceu com um pote de massa de modelar. Bastou.


Arthur sentou, pegou a massa, começou a brincar e esqueceu que estávamos ali. “Tchau, Arthur”. A resposta foi um breve aceno com a mão para não tirar a atenção da massa de modelar. Trocados por uma massinha, fomos embora. Ainda assim, felizes, por cumprir mais uma etapa da vida dele.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

São Paulo - Parte 2

Acordamos cedo. Banho, roupa, café da manhã,... Aliás, por falar em café da manhã... Estou acostumado a sentar em um restaurante e ouvir as pessoas conversando. E na minha língua. Mas em São Paulo foi um tanto diferente. Primeiro, o silêncio. Apenas ouvíamos o barulho dos talheres. Incrível como quase ninguém fala. E quando fala é em japonês. Duvido que no Japão tenha mais japonês que em São Paulo.

Para o nosso segundo dia em Sampa, a missão era clara: Santa Efigênia e Braz. E já adianto: fazer isso com duas crianças pequenas é negócio para gente sem juízo.

Na primeira, o objetivo era comprar equipamento fotográfico. O flash, que não foi encontrado no dia anterior, e mais uma ou outra coisa. As pessoas fazem tanto medo, dizendo que certamente você será roubado a qualquer momento, que não dá para dar as costas nem para a própria sombra. Então era tudo para frente: bolsa e menino.

E haja braço. Seria impossível andar com Arthur no chão (fiquei com ele, já que Cicília levava Laís no sling). Era tanta gente que o coitado não duraria dois segundos. Se soltasse ele, seria igual à manada de antílopes que iam atropelando Simba. Sem chance.

Mas o pior, na verdade, estava por vir. O Braz. Não tanto pelo cenário, já que lojas e mais lojas e gente em cima de gente era bem parecido com a 25 de março e a Santa Efigênia. A diferença é que Cicília danou-se a comprar roupa. Aí você imagina a cena: uma pessoa carregando a mochila, Arthur e mais dois sacos de roupa.

Além disso, era preciso dar conta das necessidades individuais dos meninos: comida, água e xixi. Este último sempre um complicador a mais, pois dificilmente você encontra um banheiro público limpo. Em certos momentos não dava para evitar o desespero. Tinha hora que o pensamento era um só: “Jesus, pode me levar. Já!”. Ainda bem que ele não me ouviu.

Mas depois do que pareceram dias, conseguimos voltar para o hotel. Apenas para deixar as sacolas, tomar banho, dar banho nas crianças e seguir para a 25 de março a fim de comprar bijouterias. E aí, reconheço: um dos maiores erros da minha vida: decidimos ir a pé.

Aparentemente, uma caminhada de 1,5 km é tranquila. Não com duas crianças, em uma cidade que você não conhece, com pessoas ruins de dar informações. Cheguei lá morto, obviamente. Mais gente por todo canto e uma ruma de lojas para entrar. Em todas que entrava, sentava com Arthur, que dormia a sono solto. Como alguém podia dormir numa agonia daquela eu não sei.

Em uma delas, até bati um papo interessante. O segurança da loja explicou como é feita a importação dos produtos chineses que são vendidos lá. Basicamente, é tudo familiar. Uma galera produz na China e manda em containers para os portos brasileiros. Sempre mudando quando a polícia começa a se ligar. Então são levados para a 25 de março, onde são vendidos para os brasileiros, depois de burlar todo o esquema da Receita Federal. Simples assim.

Depois da aula de contrabando, só me restava mesmo voltar para o hotel, todo muído rezando por uma cama. 

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

São Paulo - Parte 1

Eu já imaginava que seria difícil. Antes mesmo de chegar lá. Afinal de contas, percorrer a 25 de março, Santa Efigênia e Brás com uma criança de 3 anos e outra de 1 ano não é mole. Mas a vontade (leia-se compulsão por compras) era maior. E fomos.

Assim que chegamos em São Paulo, passamos no hotel, deixamos as malas e fomos para a 25 de março. Um dos principais centros de muamba do mundo. No momento, o objetivo era comprar um flash para minha máquina. Um “amigo” disse que encontraria com toda a certeza na Galeria Pajé.

Para quem não conhece: pense no Terceirão, em João Pessoa. Imagine-o com oito andares de lojinhas de camelô. Pois é. Passei por todas as lojas. Com Arthur no braço. E uma mochila nas costas. Não dava para deixar nenhum nem outro no chão. O povo levava.

Não achei lá e me mandaram para uma tal Galeria Oriental, que ficava do lado. Um prédio igual, com vários andares e várias lojinhas. Tudo de novo, com o mesmo resultado. Com ódio de Ícaro, o tal “amigo”, só deu tempo de voltar para o carro e pensar em comer e dormir. Mas antes tínhamos outra missão: entregar o carro alugado no aeroporto de Congonhas.

E neste dia, aprendi o que é um engarrafamento. Bem diferente de levar 30 minutos para atravessar a Epitácio Pessoa em horário de pico. Parado. Seis faixas de carros: parados. PARADOS.

Óbvio que se fosse só isso estava de bom tamanho. Afinal de contas, turista que se preze, gosta de conhecer até os problemas das cidades que visita. Mas para completar o cenário, Laís se acabava em lágrimas.

É que estava no horário dela dormir, o que acontece de forma natural quando ela está na cadeirinha. A diferença é que o balanço do carro em movimento ajuda e o sono chega rápido. Com o danado parado, o negócio ficou complicado.

Era um choro desesperado. E o trânsito não ajudava. “Deve ter acontecido alguma coisa aí na frente, não é possível”. Em certo momento, cheguei a pensar em descer e balançar o carro para ver se ela dormia. Ainda bem que não fiz isso. Não acho que seria algo normal de se ver e com a quantidade de ambulâncias e viaturas da polícia passando, com certeza teria sido levado em alguma.

Contudo, após intermináveis minutos, que pareceram dias, chegamos, resolvemos o que precisávamos e retornamos ao hotel para uma merecida noite de sono. 

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

1 ano de Augusto

Já tinha levado Arthur e Laís para vários aniversários, mas é inegável que o de Augusto havia criado uma expectativa diferente. Era o primeiro ano dele e seria na Pirlimpimpim. Conhece?Se sim, sabe do que estou falando...

Vez ou outra falávamos para Arthur o que teria no dia da festa. E por ser caminho de casa, ele já sabia onde era e mostrava toda vez. “A festa de Augusto vai ser ali”.

Durante todo o período de preparação, ouvia as mulheres falando sobre a roupa do evento. Era um tal de discutir cor, modelo, loja em que iam comprar e eu achando aquilo um exagero. “É uma festa de criança”.

Mas quando chegou a véspera e vi o vestido que Laís iria usar, entendi: “Lascou! Tenho roupa pra esse negócio não”. A menina ia de daminha de casamento! No final das contas, cheguei a pegar uma camisa nova, que foi vetada pela avó do aniversariante. Que por sua vez me entregou uma do próprio esposo, lacrada, vinda direto de Las Vegas.

Receoso de ter uma crise alérgica, vesti. Não sei se graças aos dois anti-alérgicos que havia tomado horas antes por causa de uma crise de rinite, mas não tive nenhuma reação com a camisa. E fui para a festa.

Cheguei ao local carregando minha máquina fotográfica e disposto a registrar todos os momentos. De fato, a festa estava bem bonita. Iria dar para fazer um book. Uma dose de whisky, algumas fotos,... “Eita, tem três videogames lá embaixo e mais um carro de corrida”. Fui. Arthur estava brincando no carro.

“Que lindo, tu tá dirigindo? Que massa. Deixa eu tirar uma foto. Legal! Gostou de dirigir? Pronto, agora sai e vai fazer outra coisa” A partir daí, a coisa ficou descontrolada. As fotos ficaram escassas. Sobre Arthur e Laís tenho algumas vagas lembranças da festa. Olhava, estava com alguém, voltava a brincar.

Às vezes, quando saía para beber refrigerante para matar a sede, voltava e já tinha um pirraia no lugar. Falta de respeito. “Acho que tua mãe tá te chamando. Como é mesmo teu nome? Foi esse mesmo que ouvi, dá uma corrida lá pra ver”.

O ponto negativo é que achei que a festa durou pouco. Cheguei às 17h e às 21h e alguma coisa Cicília já tava me chamando para ir embora. Logo quando, finalmente, tinha pego a malícia do carro de corrida. Quem sabe na próxima?

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O cazá cazá

O ritual para um jogo de futebol começa logo cedo. No caso da partida ser em outra cidade, o muído vem ao longo da semana. “Tô pensando em ir pro jogo”, “acho que vai dar certo domingo”, “os meninos confirmaram”, “ta tudo certo para amanhã”, “a gente sai daqui umas 13h30”. É mais ou menos assim.

Isso para ir amaciando a esposa para ela ficar legal e não ter estresse. Quando chega o tão esperado dia, aí sim o ritual. Separa a camisa, do pai e do filho. Checa ingresso (ou carteira, no caso). Óleo do motor e calibragem dos pneus (são 120 km até Recife).

Arthur já saiu de casa pronto. Camisa, bermuda e sandália. “Vai pra onde?”. “Po jogo do ipot com papai”. Deixamos a feijoada, pegamos Hugo e iniciamos a viagem. O menino tava conversador que só a gota.

Era um tal de falar do casamento de Kiko, de Hugo, do aniversário dele que ia ser de sapo e Laís iria estar de Joaninha... Falou, falou, falou, falou e pegou no sono. Só acordou quando estacionamos o carro ao redor do estádio.

Botei no braço, entreguei a mochilinha a Hugo, peguei a garrafa d’água e fomos embora. O cabra andar cerca de 5 minutos com direito a ponte no meio do caminho com menino pendurado não é fácil. Passamos pela sede e chegamos aos elevadores. Gente. Calor. E o Cazá, Cazá.

Arthur ficou meio assustado. Encostou a cabeça no meu ombro e me abraçou. Ainda estava acanhado.

Elevador até o topo, dois lances de escada para baixo e estávamos nas cadeiras. Sentei com ele no meu colo. E passamos a assistir ao jogo, que já havia começado. Perdemos a entrada dos times em campo.

Para quem gosta de futebol, não tem como descrever a sensação de estar na arquibancada. Rodeado de desconhecidos que tornam-se amigos em frações de segundo. Seja para falar mal de certo jogador, seja para unir-se em xingamentos ao árbitro. Ou ainda para se abraçar no momento mais sublime de uma partida: o gol.

Durante todo o primeiro tempo, observei Arthur. Ao contrário do jogo anterior, estava solto. Animado. Batia palmas. Gritava. Empurrava o time junto com os outros 32.967 torcedores.

E depois do intervalo, mostrou que estava em casa. À vontade. Orgulhoso, só fiz ligar a câmera do celular e apontar para ele. O resultado foi esse aí: Cazá Cazá! 

terça-feira, 24 de setembro de 2013

O dente de Laís

Acidente é sempre um momento complicado. Com os filhos então...

De férias, fomos para Natal passear e acabamos ficando o último dia em um hotel da Via Costeira. Estávamos no quarto, nos organizando para sair. Banho, roupa, perfume, sapato,... E Laís pulava.

Confesso: não existe pula-pula mais legal que cama de hotel. O colchão é fofo e a danada agüenta. Mas é também um risco potencial para tragédias.

No caso específico, Laís já tinha pulado e reclamei, tentando evitar qualquer coisa. Só que quando tem que acontecer, não tem jeito. A bichinha estava sentada, logo após tomar banho e vestir a roupa. Só estava lá porque não tinha colocado os sapatos, que por sinal eu estava procurando para pôr.

Virei de costas, quando de repente... POTOFE. Corri para pegá-la e quando virei para mim, já vi o estrago. Metade do dente tinha ido embora. Veio o choro. “O que foi isso?”. Era Cicília de dentro do banheiro. “Nada demais, foi só Laís que caiu da cama, mas to com ela aqui”. “Machucou?”. “Nada demais, só quebrou um pedacinho do dente”. Pronto.

Laís chorava de um lado, Cicília se desesperava para o outro e eu tentando manter a calma no meio. Vesti a primeira roupa que achei e carreguei a menina para a cozinha do hotel. Peguei um punhado de gelo e comecei a passar no dente.

Depois de uns bons 15 minutos, voltamos para o quarto para só então Cicília ter coragem de olhar o estrago. “Só um pedacinho?”. Não precisa nem dizer que ela perdeu o dia.

Quanto a Laís, nem aí. Com ou sem dente, o negócio dela era agitar. E ficou como se nada tivesse acontecido. 

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Dia dos Pais na Lourdinas

Não vou mentir. Estava ansioso. Afinal de contas, era a primeira festa de Dia dos Pais da escola de Arthur. Lourdinas. Desde o início do ano, decidi que iria participar de todas as atividades escolares. Até para evitar certos traumas de infância, em que eu costumava passar cerca de 15 dias ensaiando para homenagear meus genitores e quando chegava o dia, a homenagem era para os pais dos outros...

Quem nunca passou pela experiência, não sabe o que é cantar “Maria, Maria” para ninguém. Ou “Pai” para a mesma pessoa: ninguém! Sentiu o trauma? Pois bem, não queria isso para Arthur. Fui para a festa.

Mesmo que fosse em um sábado, dia de um rally da Mitsubishi. Fui. E não vi nada demais.

Na verdade, a tal homenagem aos pais foi bem diferente do que tinha em mente. Pensava em ver Arthur aos berros cantando em cima do palco alguma música sentimental e eu, na platéia, tentando manter a câmera firme, sem saber se fotografava ou filmava, enquanto os olhos se acabavam em lágrimas.

Chegamos, fomos para o pátio, um calor da mulesta... Sentei com Arthur no colo e uma abelha começou a me rondar. Lembro que tinha uma mulher puxando a reza e algumas músicas. Depois entrou um padre, que falou algumas coisas legais e por fim um lanche.

Em seguida, dividiram os pais em grupos, aula de alongamento e parque brincar. Legal.

Mas com tanta gente ao mesmo tempo, só em pensar em ficar na fila para alguma atividade dava vontade de sair correndo.

Além disso, Arthur tinha atingido certo nível de irritação e chorava por tudo. Resolvemos então abdicar da “diversão” e fomos embora.

Com a sensação de “valeu a intenção”.

terça-feira, 23 de julho de 2013

O cinema

A primeira ida ao teatro não deu tão certo, mas acreditava que talvez a Sétima Arte tivesse um efeito melhor. Afinal de contas era desenho com fadinha, tudo bonitinho. Foi então com o pensamento positivo que decidi levar Arthur para ver Tinkerbell e o Segredo das Fadas.

Sair de casa é sempre um processo trabalhoso. Menino almoçado? Ok! Sentado na cadeirinha? Ok! Roupa reserva? Ok! Fralda? Ok! Garrafa com água? Ok! Lanche? Ok! Fomos.

Com tanta coisa para pegar, fica um tanto inviável chegar antes da hora em qualquer compromisso. Depois de rodar todo o minúsculo estacionamento do Mag Shopping atrás de uma vaga, deixamos o carro e subimos.

Fila, espera, ingresso,... “Quer pipoca?”. “Quéio!”. Outra fila, outra espera, pipoca,... “Bora que vai começar”. “Quer ir no banheiro?”. “Quéio!”. Abre a calça, piloca para fora, faz xixi, sacode, guarda, descarga,... “Xau Xixi”.

Como estava cheio de coisa nas mãos, pedi para Arthur me acompanhar a pé. Fomos em direção à sala, ele atrás de mim. Peguei os óculos (sim, era 3D, brinque não), fui caminhando, meia luz, subindo a rampa... “Tu vai querer usar óculos Arthur?”. “Arthur?!”. O menino estava estancado lá na porta com medo de entrar naquela sala escura. Não quis de jeito nenhum. Voltei.

Imagino as pessoas quando me viram entrar: “Quem é esse coitado?”

Meus braços tinham: Arthur, pipoca, água, bolsa, ingresso, celular e óculos. Até hoje não sei como consegui. Fui até a cadeira indicada e foi outra luta. Ele não queria ficar no chão. Nem na cadeira, com medo dela dobrar com ele dentro. Fiz toda uma acrobacia para conseguir nos acomodar e não deixar nada cair.

Depois de uns cinco minutos, consegui. A luz apagou e iniciou o filme.

Ao contrário do que imaginei, ele aceitou colocar os óculos. E aproveitava tudo de pertinho. Fadinhas, coelhos, esquilos, corujas, folhas e não quis mais. Foram 10 minutos apenas. E passou a ver o filme todo embaçado.

Fora isso, tudo seguiu tranqüilo. Nos conformes. Bom, pelo menos até a pipoca acabar. Porque aí o negócio desandou. Ele começou a chorar. “Quéio ir pa casa”. “Hômi, deixe de resenha, fique quieto que tem o filme todinho ainda”. “Eu QUÉIO IR PA CASA”. Quem tem filho sabe. Nesses momentos bate O desespero. A vontade é enfiar a cabeça dele dentro do saco de pipoca para ver se não incomoda os outros. Mas ninguém faria isso.

Levantei, fui para a lateral da sala e fiquei no balanço... “psssss, psssss, psssss”. Depois de um tempo, dormiu e eu fiquei lá, vendo o filme. Em pé. Só após vários minutos consegui sentar. Com ele dormindo. E fiquei assim, até o final do filme. Que deve ter durado uns 7 ou 8 minutos.


Bom, pelo menos ele não teve medo de Tinkerbell. O que me deu esperanças de voltar para ver outro filme.

domingo, 21 de julho de 2013

A língua

Nem sempre é possível ensinar bons modos aos filhos. A gente tenta. Mas às vezes eles não querem aprender. E quando executam certa falta de educação na frente dos outros, os pais são logo acusados: “Esse menino tem mãe? Tem pai? Mal educado!”.

Já disse aqui que levo a sério a tal história do papel dos padrinhos para a criança. São segundos pais. Tanto podem contribuir para a educação quanto prejudicar.

Por exemplo: Tia Luedva sempre quis ensinar Arthur a estirar língua. Papai, Mamãe, Tia Sá e Tio Col nunca deixaram. Resultado: ele não adquiriu este hábito. Laís sim.

Por ser madrinha dela, Tia Évia tem mais poder de ação. E ensinou a menina a botar a língua para fora como se fosse a coisa mais linda do mundo. Confesso que ver uma criança fazer certas coisas EM CASA é bonitinho. Mas não pode virar costume, pois uma dia vai fazer na frente de uma visita, por exemplo.

Mas tudo isso foi só para contar a seguinte história:

Era mais um dia comum em casa. Acorda cedo, toma banho, dá banho nas crianças, prepara café, senta para comer e... lá vem Laís sentar no colo da mãe. Como sempre. Em dado momento, ela começa a estirar língua para todo lado. “Pare com isso. Guarde essa língua”. “UUUnnnnaaaa”. E tome mostrar. Agora mais especificamente para mim.

Juntei toda a seriedade que consegui naquele momento e disse: “Feche a boca senão vou cortar sua língua”. Ela olha no fundo dos meus olhos. Vejo algo que acho ser respeito. “Ela vai parar”, pensei.

De repente, ela abre um sorriso maroto e faz: “UUUUNNNNAAAA”. Aponta para mim e começa a rir de forma debochada. Dando gargalhadas.

E eu, já sem moral alguma, apenas esboço um sorriso e penso: “Luedva me paga”.